quarta-feira, março 07, 2007

PCP contra «governamentalização» do Metro do Porto

Diário Digital

Diário Digital / Lusa

27-02-2007 15:08:50



A Direcção da Organização Regional do Porto do PCP (DORP/PCP) «está em profundo desacordo» com a «governamentalização da gestão do Metro do Porto», disse hoje à Lusa o dirigente daquela estrutura, Sérgio Teixeira.

«Sempre defendemos que as autarquias, através da Junta Metropolitana do Porto, devem ter voz activa e determinante na gestão do Metro do Porto», afirmou o responsável à Lusa no final de uma reunião com o administrador executivo da empresa, Oliveira Marques.

Sérgio Teixeira frisou que esta questão não fez parte dos assuntos tratados na reunião com Oliveira Marques, já que se trata de uma questão política, que está fora do âmbito técnico daquele cargo.

Sublinhou, no entanto, tratar-se de um assunto que está na ordem do dia, já que a modificação do modelo de gestão da empresa poderá vir a ter implicações na marcha do projecto de expansão da rede.

«Temos que ter sempre presente que este projecto mexe profundamente com os municípios, já que se trata de um metro de superfície, pelo que as câmaras devem ter uma voz determinante na sua implantação no terreno», frisou Sérgio Teixeira.

A rede do Metro do Porto é subterrânea no interior do Porto e à superfície nos concelhos limítrofes - Gaia, Matosinhos, Maia, Vila do Conde e Póvoa de Varzim.

O dirigente comunista referiu que no encontro com Oliveira Marques ficou claro que «está tudo pronto para avançar com a construção da linha de Gondomar e a duplicação da linha da Trofa, assim como a linha da Boavista».

«O início das obras apenas depende da luz verde do Governo», disse, acrescentando que a DORP/PCP está «muito preocupada» com a falta de cumprimento dos compromissos já assumidos.

Para Sérgio Teixeira, «se o Governo não cumpre os seus compromissos, está a pôr em causa a dignidade do Estado».

A Junta Metropolitana do Porto (JMP) considerou sexta-feira que o actual modelo de gestão do Metro do Porto é o melhor, mas admitiu a sua alteração, caso o governo aceite assinar um contrato de investimento para expansão da rede.

«No limite, há um consenso entre os autarcas segundo o qual o modelo de gestão passa a ser discutível. O avanço da obra é que não», disse o presidente da JMP, Rui Rio.

O autarca considerou fundamental a construção célere das linhas de Gondomar e da Boavista, o prolongamento a Laborim (Gaia) e a duplicação da linha da Trofa.

Rui Rio revelou que a JMP vai apresentar ao governo, no espaço máximo de um mês, a sua contraproposta para o modelo de gestão, financiamento e cronograma das futuras obras do metro.

Em concreto, a JMP vai propor a celebração de um contrato de investimento com o Governo que defina, com rigor, todas as obrigações das partes.

A contraproposta dos autarcas surge na sequência de uma reunião, que mantiveram na semana passada com o ministro das Obras Públicas, durante a qual Mário Lino questionou o actual modelo de gestão e apresentou um novo calendário de obras.

Rui Rio confirmou que o Governo quer passar a controlar a empresa, actualmente detida em 60% pela JMP, mas não adiantou o calendário de obras proposto pelo ministro.

Já hoje, o vereador socialista na Câmara do Porto, Francisco Assis, manifestou uma «divergência de fundo» com o Governo do seu partido quanto à eventual retirada do controlo accionista da empresa Metro do Porto à Junta Metropolitana.

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